Carlos Lúcio Gontijo

 

          A literatura, a poesia e as centenas de artigos que escrevi são a essência de minha vida, formando o horizonte que ilumina as artérias e o meu cérebro por onde circulam as minhas ideias. Minha amiga Berenicy Raelmy Silva vislumbrou este meu alicerce desde o primeiro instante, quando nos conhecemos em 1989, no jornal “Hoje em Dia”.

          Berenicy transformou-se na revisora de meu primeiro romance (O contador de formigas) e com os seus ensinamentos apurei a arte do ofício de romancista, além de aprender com a psicóloga que o erro em produto gráfico é quase sempre inevitável, saltando-nos aos olhos após o livro pronto, como a nos confirmar a nossa imperfeição.

          A jornalista e psicóloga frequentemente requisitada por muitos autores e editoras é uma mulher guerreira, simples e humilde. Apesar de tantos anos de convivência, não tem muito tempo que descobri, por intermédio de outras pessoas, que Berenicy domina a língua francesa e até faz revisão para autores brasileiros que desejam ser publicados na França.

          Saber que minha amiga é vencedora nas profissões as quais dedicou todo o seu esforço, sobretudo em relação ao exercício da psicologia, com o seu respeitado consultório em Belo Horizonte sempre cheio, dá-me satisfação e contentamento. Mesmo nos momentos de afastamento, devido aos rigores do tratamento dos casos de câncer que lhe acometiam, seus pacientes ficaram à sua espera, sob a certeza de que não encontrariam substituta à altura de sua capacidade de semear nova e esperançosa visão nos canteiros de suas mentes atormentadas.

          Infelizmente, a guerreira no campo da gramática, da ortografia e no tratamento emocional de sua clientela encontra-se novamente adoentada, depois de anos e anos de muita batalha e persistência. Apesar do cansaço, a guerreira Berenicy caminha e segue abrindo clareiras onde a imensa maioria das pessoas se entregaria aos grilhões da escuridão.

          Berenicy salta da cama, escala as dores do invólucro frágil que serve de abrigo ao seu espírito luzidio e, como emblema de sua renitência diante das vicissitudes da vida, aponta ao visitante um quadro com poema de minha autoria dependurado na parede de entrada de sua casa, repetindo um de seus versos: “Não cabe prece onde é preciso passo”.

          Carlos Lúcio Gontijo

          Poeta, escritor e jornalista

         www.carlosluciogontijo.jor.br

        19 de dezembro de 2017.