"(...) Tempo passado no malpassado, eis que, sentindo-se mal-amado e desprezado, como pensamento perdido no horizonte, olhou para trás, envolto em lembranças da humilde e preterida apanhadora de cocos. E viu ao longe as mesmas pegadas antigas impregnadas na areia branca. Descobriu, então, que havia errado de paixão e que o amor não é um sentimento rápido, não se dilui em mares nunca dantes navegados: vai caminhando em nós, lentamente, dando-nos a chance de aprender a ver, decorar retas e curvas entre suores corporais, eternizando risos, lágrimas, marcas e cicatrizes. Daí, dessa forma arrebatado, foi só acompanhar as pegadas na areia e ir ao encontro do amor verdadeiro com o sabor gostoso de água de coco..."
Caros leitores, tomamos a iniciativa de abrir essa apresentação do romance Virgem Santa sem Cabeça com um trecho extraído de seu excelente conteúdo, como costuma acontecer com os trabalhos literários de Carlos Lúcio Gontijo, que há 25 anos vem acumulando o reconhecimento da crítica especializada. Sua obra já se acha enfeixada em nove livros, compreendendo poesia, prosa e ficção. Não fosse ele dotado de grande talento e vocação para as letras, ainda mais se valoriza perante os seus admiradores pela consciência político-social e a paixão com que se entrega à arte de escrever.

"Se diligente fosse o procedimento usual dos que alinhavam (ou cirzem) o cada vez mais esgarçado tecido social, que cobre um povo "a-b-c-izado" e não conscientizado, eles seriam aclamados como tecelões e não políticos...
Revisão:
Berenicy Raelmy Silva
Composição:
Conceição Nina de Oliveira
Capa e ilustração:
Evandro Luiz da Silva
Programação Gráfica:
Nivaldo Marques Martins

Gontijo, Carlos Lúcio: Virgem santa sem cabeça
Romance e poesia - 1ª ed. - Belo Horizonte 2000