Carlos Lúcio Gontijo

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou levantamentos sobre a existência de bibliotecas nas cidades brasileiras, constatando que em cada cinco municípios pelo menos um não dispõe de biblioteca e, ainda pior, mesmo os que a possuem não cuidam como deviam do espaço público reservado a livros e leitores.

Muitas bibliotecas - a maioria - não são dirigidas por bibliotecária e os poucos funcionários nelas lotados não têm sequer interesse pelo assunto, ou seja, passam as horas de serviço sem folhear nem portar livro algum nas mãos. Grave também é o restrito período em que as casas de leitura ficam abertas ao público: há umas que funcionam só pela manhã, outras só à tarde, poucas abrem suas portas à noite e raríssimas oferecem acesso nos fins de semana. Além do mais, o comum é encontrar bibliotecas em espaços acanhados, sem computador e assentadas em locais de difícil acesso à população.

Por absoluto desinteresse dos executivos municipais, são escassos os casos de municípios com algum plano efetivo de incentivo à leitura como, por exemplo, a iniciativa de formação de grupos de leitura, cadastrar famílias e promover uma espécie de núcleo favorável à melhoria do nível intelectual dos cidadãos da mesma forma que se tenta a elevação do grau de saúde por intermédio do médico de família. Em suma, prefeito algum imagina propor a criação de agentes estimuladores do gosto pela leitura, materializando a figura de "bibliotecários de família" e assim equiparando a busca de conhecimento e mente sadia possibilitada pelos livros à necessidade de zelar pela saúde físico-orgânica das pessoas.

Contudo tal idéia não passa de simples e inexequível sonho, pois o Ministério da Educação anuncia que, apesar de dispor de recursos para investir na construção e melhoria das bibliotecas já existentes, tem encontrado barreiras nos próprios prefeitos, que não se lhe apresentam dispostos a encampar a nova instituição então vista por eles como algo distante de suas prioridades administrativas, nas quais a contratação de pessoal e manutenção de órgão específico para o incentivo à leitura não passa de despesa inútil.

Ousamos conjeturar que, devido ao desprezo tanto pelas bibliotecas quanto pelos projetos de incentivo à leitura, haja no Brasil mais gente portadora de incapacidade intelectual e dificuldade de apreensão cognitiva fora do mercado de trabalho que pessoas sem acesso à indispensável atividade remunerada por alguma necessidade especial como falta de visão ou limitação motora e discriminação religiosa, racial ou ideológica. Em síntese, senhores prefeitos, o ser humano carente de nível educacional suficiente não tem lugar no mundo do conhecimento e da informação.

Carlos Lúcio Gontijo

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