Equipe saudável e governo

Carlos Lúcio Gontijo

O primeiro compromisso social de toda empresa é com o seu próprio quadro de funcionários que, na medida em que for bem tratado e remunerado, se torna multiplicador de satisfação, bem-estar, amor e paz junto à família e a seus círculos de amizade e convivência. Essa realidade é hoje motivo de alerta de economistas, pois empresas há que investem em políticas de imagem social fora de seu âmbito operacional, esquecendo-se de que o compromisso com a construção de uma sociedade melhor se inicia dentro delas mesmas.

A globalização da economia ampliou a necessidade de as empresas se tornarem competitivas e produzirem com qualidade máxima e a baixo custo. Dessa forma se tornaram comuns os momentos de crise, tensão e mudanças, atendendo ao alcance de metas e à busca de resultados. Todavia, jamais se pode esquecer de que no meio de todos os procedimentos executados pelos meios de produção está o trabalhador atordoado no chão de fábrica, lutando pelo sucesso da empresa e pela garantia do emprego.

Inegavelmente, manter a equipe saudável (física e psicologicamente) é fundamental para o bom andamento da produção e dos negócios de qualquer empresa preocupada com o bem-estar de seus empregados. Afirmam médicos e técnicos ligados à área do trabalho que poucas são as empresas que consideram esse item como investimento e não como custo na lista de prioridades do empreendimento.

Em passado bem recente e durante a crise no mercado financeiro norte-americano que afetou todos os países no transcorrer do ano de 2009, a forte onda de desemprego que atingiu o Brasil levou muitas empresas a relegar a construção de ambiente favorável à manutenção de uma equipe saudável, abandonando a adoção de normas de segurança sob a visão estreita da existência de um contingente enorme de desempregados prontos para assumir o cargo aberto, seja por demissão ou mesmo por ocorrência de acidentes.

Nada mancha tanto a imagem de uma empresa quanto os acidentes de trabalho, as demissões e os salários insuficientes, questões que reafirmam e comprovam o acerto dos que defendem a tese de que toda empresa, antes de abrir o leque de suas ações filantrópicas, precisa de zelar pela boa gestão de seus negócios e, logicamente, pelo bom relacionamento com seus funcionários, que, mais que trabalhadores, são os primeiros e mais competentes divulgadores de sua imagem perante a sociedade.

Dessa forma, seguindo esse mesmo receituário administrativo indicado ao setor produtivo como um todo, seria salutar ao governo brasileiro que, antes de sair distribuindo recursos mundo afora e perdoando dívidas contraídas por países hoje em dificuldades, cuidasse de sanar o enorme déficite por ele ostentado em relação à sociedade, como é o caso dos aposentados e da multidão de cidadãos que não dispõem de moradia ou as constrói em terrenos inadequados, colocando em risco a vida de muitas famílias.

Carlos Lúcio Gontijo

Poeta, escritor e jornalista

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